sexta-feira, 10 de abril de 2015

O Pensamento

  Emmanuel nos diz que o pensamento é uma força criadora,ou seja criamos nossas situações de acordo com o que pensamos,uma força que entra em co-criação.O Pensamento é um veículo,  um agente, podemos direcioná-lo a qualquer ser no Universo,onde estaremos ligando a ele por uma corrente fluídica.
 Não devemos esquecer de que os Espíritos sempre nos influenciam e esta influência se dá através do pensamento,lembremos da pergunta 459 de O Livro dos Espíritos:

 459- Influem os Espíritos em nossos atos e pensamentos?
          Muito mais que imaginais.Influenciam a tal  ponto,que eles,de ordinário são eles que vos       dirigem.

Ou seja recebemos influência  de todos os lados seja de desencarnados mas, também encarnados como familiares,amigos,colegas de trabalho,irmãos de santo e ou tarefeiros de sua casa espírita que frequenta, todos nós vivemos com tais pessoas devido ao compartilhamento de certos pensamentos é a Lei das Afinidades lembremos do que disse o Mestre Jesus:"Diga-me com quem tu andas que te direi quem és?"não nos situamos em certos locais a toa, pelo pensamento rotulamos nosso padrão vibratório e estaremos no local exato de acordo com os desígnios da Providência Divina.
  Devemos prestar atenção em nossos pensamentos para atrair Espíritos de Luz,para que sejamos sempre amparados em nossas andanças nos caminhos até o Pai,ter pensamentos de bondade,alegria,amor,fraternidade e praticar o bem é a maneira que os Espíritos em desenvolvimento mais amplo nos recomenda para ter bons pensamentos e andar sempre sob os domínios da Luz,e para isso também repelir os Espíritos das Trevas afastando de nós todo pensamento de maldade,ódio,egoísmo e orgulho; assim o pensamento é o "cartão de visita" para convidar ao nosso redor a categoria de Espíritos ao qual sintonizamos.
  Vale lembrar o que disse Carlos Torres Pastorino a nossa mente é como um rádio e cada estação é uma sintonia,assim funciona a nossa mente e o veículo dela é o Fluído Cósmico Universal,nele é que os desejos exprimidos por nós através de nossos pensamentos são trabalhados,aí trabalha a Lei do Retorno ,tudo o que nos fazemos sempre vem com consequências boas ou ruins dependendo de cada uma dependendo de nossos pensamentos teremos o que nós desejamos de uma forma ou de outra para nós. 
  Vamos orar e vigiar como disse Jesus,não vigiar o outro mas, a nós mesmos os nossos atos e pensamento para que não tenhamos de enfrentar consequências devastadoras plantadas por nós mesmos.Vamos encerrar agora com um texto de Joanna de Ângelis através do médium Divaldo Franco:


Não dês os teus espaços mentais para os pensamentos vulgares.
Preenche todas as brechas com idéias de edificação, da ação do bem, da felicidade própria e alheia.
É na mente que se iniciam os planos de ação.
A mente ociosa cria imagens infelizes que se corporificam com alto poder de destruição, consumindo quem os elabora e atingindo as outras pessoas.
Luta com vontade para que a “hora vazia” não se preencha de lixo mental tornando-te infeliz ou vulgar.

sábado, 4 de abril de 2015

Sensitiva?


Denise Fernandes Marsiglia 




Ela me perguntou com voz doce: – "Você é sensitiva?" Fiz uma pausa, pensei e respondi: – "Sou, mas não é que eu vejo tudo ou que isso sempre acontece; eu não tenho controle".
Ela respondeu "Entendo" e deu uma risada sonora. A consulta fluiu e, em vários momentos, ela confirmou as afirmações que saíam da minha boca sem que eu soubesse de fato do que estava falando. A capacidade intuitiva no ser humano usada nas consultas de tarô produz uma qualidade de conhecimento e experiência diferente de quando usamos mais nossa razão para falar ou pensar.
Na pesquisa que fiz para escrever esse texto, encontrei o artigo de um tarólogo que dizia não ser vidente, mas afirmava que se uma pessoa que fosse sofrer um acidente de avião fizesse uma consulta com um tarólogo vidente, essa pessoa não sofreria esse acidente.
Na experiência prática, essa ideia do meu colega não se aplica. Na Mitologia grega, os mitos nos alertam quanto a isso. As Moiras, deusas do destino, aquelas que cobram nosso "carma", cegam as videntes e as cartomantes para que o "destino" se cumpra.
Na mitologia grega, as Moiras eram as três irmãs que determinavam o destino dos deuses e dos seres humanos. Eram as responsáveis por fabricar, tecer e cortar o fio da vida de todos os indivíduos. Durante o trabalho, as moiras fazem uso da Roda da Fortuna.







Segundo Chico Xavier, "o telefone só toca de lá para cá" e, segundo relatos, a experiência de contato com o espiritual, a vidência ou clarividência, e outras capacidades humanas não são passíveis de controle.
"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma energia mais ou menos sensitiva. É de notar-se, além disso, que essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quanto são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, ou psicógrafos." (págs. 211-2, O Livro dos Médiuns, Allan Kardec).
A vidência ou clarividência vem da alma e não dos olhos do corpo, mas como uma experiência da alma invade o corpo. Com isso, as várias alterações físicas que os médiuns experimentam têm conexões com o que a alma experimenta nesse contato.





No tarô, as cartas que representam o contato mediúnico do homem são: O Mago (arcano 1); A Papisa (arcano 2); O Papa (arcano 5); A Temperança (arcano 14); A Estrela (arcano 17); O Sol (arcano 19); o Julgamento (arcano 20).


                                                     

O tarô pode ser explicado através do fenômeno da sincronicidade, "que exprime uma coincidência significativa ou uma correspondência: a) entre um acontecimento psíquico e um acontecimento físico não ligados por uma relação causal. Tais fenômenos de sincronicidade aparecem, por exemplo, quando fenômenos interiores (sonhos, visões, premonições) parecem ter uma correspondência na realidade exterior: a imagem interior ou a premonição mostrou-se "verdadeira"; b) entre sonhos, ideias análogas que ocorrem em lugares diferentes, sem que a causalidade possa explicar umas e outras manifestações. Ambas parecem ter relação com processos arquetípicos do inconsciente." (pg.358,Memórias, Sonhos e Reflexões, C.G. Jung, Editora Nova Fronteira).
O tarô não precisa da vidência ou clarividência. Tampouco a vidência ou clarividência precisa do tarô.Mas como tanto o fenômeno da vidência ou clarividência, como o fenômeno do tarô, falam desse espaço mágico, da espiritualidade humana, muitas vezes os dois fenômenos acontecem juntos. Os dois fenômenos provocam em nós reflexões sobre a fé. Como Santa Teresa, temos que saber a qualidade, o sentido, a vocação por trás das mensagens.










“A fé, como dom sobrenatural, não é a mesma coisa que a confiança natural, racional e moralmente fundada que se tem em alguma autoridade. A confiança no médico, no juiz ou no sacerdote é natural. É racional, com efeito, e de acordo com a justiça humana, reconhecer a autoridade dos peritos experimentados e, com isso, pôr neles alguma confiança. Santa Teresa tinha inteira confiança em seus confessores, que, não obstante, tinham-se enganado numa questão tão grave como a fonte de suas experiências místicas, gnósticas e mágicas: Deus ou o demônio. Mas, no conflito entre a fé sobrenatural e a confiança natural, surgido quando seus confessores e os teólogos consultados declararam que suas experiências espirituais provinham do demônio, foi a fé que prevaleceu. Era um conflito entre a ação divina imediata e autêntica sobre a vontade e, do outro lado, a confiança do pensamento e do sentimento humanos numa autoridade que era fonte de segunda mão. A revelação divina autêntica não só prevaleceu como também levou confessores e teólogos a reconhecerem a sua autenticidade." (pg.321, Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô", por autor que quis manter-se no anonimato, Edições Paulinas).



Possa sempre o tarô ser um instrumento de fé para nós!












sexta-feira, 3 de abril de 2015

Virtudes e Defeitos



É notável como conseguimos ver, todos os dias, a todos os instantes, os defeitos alheios. 

Dificilmente encontraremos alguém que não se mostre propenso a apontar erros e absurdos dos outros. 

Muitos casamentos acabam porque marido e mulher, passa a ver tanto os defeitos um do outro, que se esquece que se uniram porque acreditavam se amar. 

Amigos de infância, certo dia, se surpreendem a descobrir falhas de caráter um no outro. Desencantados se afastam, perdendo o tesouro precioso da amizade. 

Colegas de trabalho culpam o outro por falhas que, em verdade, em muitos casos, é da equipe como um todo. 
Foi observando esse quadro que alguém escreveu que os homens caminham pela face da Terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás. 

Na sacola da frente, estão colocadas as qualidades positivas, as virtudes de cada um. Na sacola de trás são guardados todos os defeitos, as paixões, as más qualidades do Espírito. 

Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos presas em nosso peito.Ao mesmo tempo, reparamos de forma impiedosa, nas costas do companheiro que está à frente, todos os defeitos que ele possui.

 Assim nos julgamos melhores que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito. 
A imagem é significativa e nos remete à reflexão. Talvez seja muito importante que saiamos da fila indiana e passemos a andar ao lado do outro. 

E, no relacionamento familiar, profissional, social em geral, que nos coloquemos de frente um para o outro. Aí veremos as virtudes nossas, que devem ser trabalhadas, para crescerem mais e também as virtudes do outro. 
Com certeza nos surpreenderemos com as descobertas que faremos. 

Haveremos de encontrar colegas de trabalho que supúnhamos orgulhosos, como profissionais conscientes, dispostos a estender as mãos e laborar em equipe. 

Irmãos que acreditávamos extremamente egoístas, com capacidade de ceder o que possuam, a bem dos demais membros da família. 
Pais e mães que eram tidos como distantes, em verdade estarem ávidos por um diálogo aberto e amigo. 

Esposos e esposas que cultivavam amarguras, encontrarem um novo motivo para estarem juntos, redescobrindo os encantos dos dias primeiros do namoro. 

                                                                            *   *   * 
A crítica só é válida quando serve para demonstrar erros graves que possam causar prejuízo para os outros ou quando sirva para auxiliar aquele a quem criticamos. 

Portanto, resistir ao impulso de ressaltar as falhas dos outros, exercitando-nos em perceber o que eles tenham de positivo, é a meta que devemos alcançar. 
Não esqueçamos de que se deseja que o bem cresça e apareça, devemos divulgá-lo sempre. 

Falar bem é fazer o bem. Apontar o belo é auxiliar outros a verem a beleza. 



Redação do Momento Espírita, com base no  
texto Sem olhar para trás, de Gilberto Nucci.  
Em 21.09.2009. 

sábado, 28 de março de 2015

A Papisa na Jornada do Herói - A Mãe Celestial


 Ao oposto do Mago a Papisa ela principia o lado passivo, receptivo. Simbolizando a disposição paciente de deixar-se conduzir e de esperar o momento de reagir ao impulso (simbolizado do Mago, o principio masculino). Como ela sabe que todas as coisas têm o Tempo certo, consegue deixar as coisas acontecerem sem interferir ansiosamente. É a confiança da voz interior, que nos indica determinado caminho a seguir, quando e como devemos agir... Ou reagir. 
 No Tarô de Waite está sentada entre as duas colunas abertas, trazendo as letras B e J, de acordo com a Bíblia o Rei Salomão mandou construir duas colunas com as iniciais B e J. Significando os nomes Boaz e Joaquim (2Crônicas 3:17 e Reis 7:21).O significado dessas colunas ninguém sabe e também tem especulado muito sobre os seus nomes,uma dessas origens seria na maçonaria,na carta do Tarô uma é preta e a outra é branca,como luz e travas,dia e noite,verão e inverno,outono e primavera,onde Papisa fica no centro dessa polaridade ,porque ambos os lados valem muito para ela. 
 Ela não separa e nem avalia, pois sabe que a união de dois pólos resulta num todo, diante disto seria conseqüente unir as ler as letras como Baal e Javé. Baal era o consorte da Rainha do céu canaanita, Astatre, cujo era o lunar ao passo que Javé (Jeová), o Deus do Velho Testamento era um Deus de luz - como todas as divindades patriarcais combatiam as trevas. 
 Para a Papisa ambos os lados têm seu valor, porque todas as separações são falsas porque na realidade. No intimo conhecemos a totalidade,quando saímos das Trevas e vamos à Luz,celebrando a comunhão de suas limitações e valorizações. A sabedoria do colo expressa na Papisa vem da Torá, ela não acreditava literalmente nos textos, mas no verdadeiro sentidos das suas palavras, o mesmo e expresso em Santa Maria: “Maria, conservava todas as estas recordações e a meditava em seu coração”. 
 O mesmo é feito nas fases da fase da Lua crescente, cheia e minguante que alem de acentuar sua natureza cíclica também representa a consciência lunar existente na carta.A Papisa representa o mundo dos sonhos,a intuição ,a intuição dos inter-relacionamentos.É a fonte de inspiração mais profunda quanto mais diminui a consciência solar,entramos cada vez mais num estado de penumbra. 



Aspectos Particulares

Nome: A Papisa ou A Grande Sarcedotisa
Arquétipo: A Rainha do Céu
Tarefa: Esperar pacientemente, pelo momento certo, ser receptivo, ser um eco, manter-se a disposição.
Objetivo: Certeza intuitiva, consciência profunda. Sentir inter-relacionamentos,
Compreender sonhos e prever desenvolvimentos.
Risco: Fuga da Realidade, hesitação, indecisão duradoura.
Disposição Intima:Poder deixar as coisas acontecer,ter confiança por saber que é orientado,ficar inspirado num estado de consciência alterada.

sexta-feira, 27 de março de 2015

O Livro Médiuns :O Papel dos médiuns nas comunicações


— É uma questão de palavras que pouco nos importa, desde que vos entendais. Sois livres de chamar homens a um fantoche.





223. 1. No momento em que exerce a sua faculdade o médium se acha em estado perfeitamente normal?

— Às vezes se acha num estado de crise mais ou menos definido. É isso que o fadiga e é por isso que necessita de repouso. Mas, na maioria das vezes, seu estado não difere muito do normal, sobretudo nos médiuns escreventes.

2. As comunicações escritas ou verbais podem ser também do próprio Espírito do médium?

— A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra. Se ela goza de um certo grau de liberdade, recobra então as suas qualidades de Espírito. Tens a prova na visita das almas de pessoas vivas que se comunicam contigo, muitas vezes sem serem chamadas. Porque é bom saber que entre os Espíritos que evocas há os que estão encarnados na Terra. Nesses casos eles te falam como Espíritos e não como homens. Por que o médium não poderia fazer o mesmo?

2. a . Esta explicação não parece confirmar a opinião dos que acreditam que todas as comunicações são do Espírito do médium e não de outro Espírito?

— Eles só estão errados por entenderem que tudo é assim: Porque é certo que o Espírito do médium pode agir por si, mas isso não é razão para que outros Espíritos não pudessem agir também por seu intermédio.

3. Como distinguir se o Espírito que responde é o médium ou se é outro Espírito?

— Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás. É sobretudo no estado sonambúlico ou de êxtase que o Espírito do médium se manifesta, pois então se acha mais livre. No estado normal é mais difícil. Há resposta, aliás, que não lhe podem ser atribuídas. Por isso é que te digo para observar e estudar.

Observação de Kardec: Quando uma pessoa nos fala, facilmente distinguimos o que é dela e o de que ela apenas se faz eco. Acontece o mesmo com os médiuns.

4. Desde que o Espírito do médium pôde adquirir,em existências anteriores, conhecimentos que esqueceu no seu corpo atual, mas dos quais se lembra como Espírito, não o pode tirar do fundo de si mesmo as idéias que parecem ultrapassar o alcance de sua instrução?

— Isso acontece muitas vezes nos casos de crise sonambúlica ou extática, mas ainda assim existem circunstâncias que não permitem a dúvida: estuda longamente e medita.

5. As comunicações do Espírito do médium são sempre inferiores às que pudessem ser dadas por outros Espíritos?

— Sempre, não, pois o Espírito comunicante pode ser de uma ordem inferior à do médium e nesse caso falará com menos sensatez. Vê-se isso no sonambulismo, pois sendo o Espírito do sonâmbulo o que freqüentemente se manifesta, no entanto diz algumas vezes coisas muito boas.

6. O Espírito comunicante transmite diretamente o seu pensamento ou tem como intermediário o Espírito do médium?


— O Espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para a comunicação e porque é necessária essa cadeia entre vós e os Espíritos comunicantes, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia à distância, e na ponta do fio uma pessoa inteligente que a receba e comunique.

7. O Espírito do médium influi nas comunicações de outros Espíritos que ele deve transmitir?

— Sim, pois se não há afinidade entre eles, o Espírito do médium pode alterar as respostas, adaptando-as às suas próprias idéias e às suas tendências. Mas não exerce influência sobre os Espíritos comunicantes. É apenas um mau intérprete.

8. É essa a causa da preferência dos Espíritos por certos médiuns?

— Não existe outro motivo.Procuram o intérprete que melhor simpatize com eles e transmita com maior exatidão o seu pensamento. Se houver simpatia entre eles, o Espírito do médium será um antagonista que lhe oferecerá resistência, tornando-se um intérprete de má vontade e quase sempre infiel. Acontece o mesmo entre vós, quando as idéias de um sábio são transmitidas por um insensato ou uma pessoa de má fé.

9. Concebe-se que seja assim para os médiuns intuitivos, mas quando se trata de médiuns mecânicos?

— Não compreendestes bem a função do médium. Há uma lei que ainda te escapa. Lembra-te de que, para produzir o movimento de um corpo inerte o Espírito necessita do fluido animalizado do médium, de que se serve, por exemplo, para animar momentaneamente a mesa, fazendo-a obedecer à sua vontade. Pois bem, para uma comunicação inteligente ele necessita também de um intérprete inteligente, e esse intermediário é o Espírito do médium.

9 . a . Isto não parece aplicar-se às mesas falantes, pois quando estas e outros objetos inertes, como as pranchetas e as cestas, respondem de maneira inteligente, parece que o Espírito do médium não tem nenhuma participação?

— É um engano. O Espírito pode dar uma vida factícia momentânea a um corpo inerte, mas não a inteligência. Jamais um corpo inerte teve inteligência. É pois o Espírito do médium que recebe o pensamento sem o perceber e o transmite pouco a pouco, com a ajuda de diversos intermediários.

10. Parece resultar dessas explicações que o Espírito do médium não é jamais completamente passivo?

— Ele é passivo quando não mistura suas próprias idéias com as do Espírito comunicante, mas nunca se anula por completo. Seu concurso é indispensável como intermediário, mesmo quando se trata dos chamados médiuns mecânicos.

11. Não há maior garantia de independência no médium mecânico do que no médium intuitivo?

— Sem dúvida, e para algumas comunicações é preferível o médium mecânico. Mas, quando conhecemos as faculdades de um médium intuitivo, isso se torna indiferente, segundo as circunstâncias. Quero dizer que certas comunicações exigem menos precisão.

12. Entre os diferentes sistemas propostos para explicar os fenômenos espíritas há um que pretende estar a verdadeira mediunidade nos corpos inertes, por exemplo, na cesta ou na caixa de papelão que serve de instrumento. O Espírito comunicante se identificaria com o objeto e o tornaria não somente vivo, mas também inteligente, do que resulta a designação de médiuns inertes para os objetos. Que pensas disso?

— Só se tem a dizer o seguinte: se o Espírito transmitisse inteligência à caixa e lhe desse vida, ela escreveria sozinha, sem o concurso do médium. Seria estranho que o homem inteligente virasse máquina e um objeto inerte se tornasse inteligente. É um dos numerosos sistemas surgidos de idéias preconcebidas e que vão caindo diante da experiência e da observação.

13. Um fenômeno bem conhecido poderia tornar admissível a ideia de existir, os corpos inertes assim animados, mais do que a vida e até mesmo do que a inteligência. É o das mesas, cestas etc., que exprimem, nos seus movimentos, a cólera ou a afeição?

— Quando um homem colérico sacode uma bengala não é esta que se acha encolerizada, nem mesmo a mão que a segura, mas o pensamento que dirige a mão. As mesas e as cestas não são mais inteligentes do que a bengala. Não têm nenhum sentimento inteligente, mas obedecem a uma inteligência. Numa palavra: não é o Espírito que se transforma em cesta, nem mesmo escolhe a cesta para nela se abrigar.

14. Se não é racional atribuir inteligência a esses objetos, pode-se considerá-los como uma variedade de médiuns, designando-o por médiuns inertes?


15. Os Espíritos só têm a linguagem do pensamento, não a articulada, e portanto usam apenas uma língua. Assim, um Espírito poderia exprimir-se por via mediúnica numa língua que nunca falara quando vivo. Nesse caso, de onde tira as palavras que emprega?

— Já respondeste a pergunta por ti mesmo, ao dizer que os Espíritos só tem uma língua, que é a do pensamento. Todos compreendem essa língua, tanto os homens como os Espíritos. Ao dirigir-se ao Espírito encarnado do médium, o Espírito errante não fala em francês nem em inglês, mas na língua universal do pensamento. Para traduzir as suas idéias numa linguagem articulada, transmissível, e ele utiliza as palavras do vocabulário do médium.

16. Se for assim, o Espírito só deveria exprimir-se na língua do médium, mas sabe-se que escreve em línguas que lhe são desconhecidas. Não há nisso uma contradição?

— Observe-se primeiro que nem todos os médiuns são igualmente aptos a esse gênero do exercício. Em seguida, que os Espíritos só se prestam a ele acidentalmente, quando julgam que isso pode ser útil. Para as comunicações usuais, de certa extensão, preferem servir-se de uma língua familiar ao médium, que lhes apresenta menos dificuldades materiais a superar.

17. A aptidão de certos médiuns para escreverem numa língua estranha não provém do fato de a terem usado noutra existência, conservando-a na atual em forma intuitiva?

— Certamente isso pode acontecer, mas não é uma regra. O Espírito pode, com algum esforço, superar momentaneamente a resistência material. É o que se verifica quando o médium escreve, na sua própria língua que não conhece.

18. Uma pessoa que não sabe escrever, poderia fazê-lo como médium?

— Sim, mas compreende-se que haverá grande dificuldade mecânica a vencer, pois a mão não está habituada aos movimentos necessários para formar as letras. Acontece o mesmo com os médiuns desenhistas que não sabem desenhar.

19. Um médium de inteligência bem reduzida poderia transmitir comunicações de ordem elevada?

— Sim, pela mesma razão que um médium pode escrever numa língua que não conhece. A mediunidade propriamente dita independe da inteligência, como das qualidades morais. Na falta de melhor instrumento o Espírito pode servir-se do que tem à mão. Mas é natural que, para as comunicações de certa ordem, prefira o médium que lhe oferece menos obstáculos materiais. E há ainda outra consideração: o idiota freqüentemente só é idiota pela imperfeição dos seus órgãos, pois o seu Espírito pode ser mais adiantado do que se pensa. Tens a prova disso por algumas evocações de idiotas mortos ou vivos.

Observação de Kardec: Este é um fato comprovado pela experiência. Numerosas vezes evocamos Espíritos de idiotas vivos, que deram provas patentes de sua identidade, respondendo-nos de maneira muito sensata e até mesmo superior. Esse estado é uma punição para o Espírito, que sofre com o constrangimento em que se encontra. Um médium idiota pode oferecer, pois, algumas vezes, ao Espírito que deseja manifestar-se, maiores recursos do que se pensa. (Ver Revista Espírita de julho de 1860, artigo sobre Frenologia e Fisiognomia.)

20.Como se explica à aptidão de certos médiuns para escrever em versos, apesar de sua ignorância em matéria de poesia?

— A poesia é uma linguagem. Eles podem escrever em versos como podem fazê-lo numa língua que desconhecem. Além disso podem ter sido poetas em outra existência. Como já disse, os conhecimentos adquiridos nunca se perdem para o Espírito, que deve atingir a perfeição em todas as coisas. Assim, o que eles souberam no passado lhes dá, sem que o percebam, uma facilidade que não possuem no estado habitual.

21.É o mesmo caso dos que têm aptidão especial para o desenho e a música?

— Sim. O desenho e a música são também forma de expressão do pensamento. Os Espíritos se servem dos instrumentos que lhes oferecem mais facilidades.

22. A expressão do pensamento pela poesia, o desenho ou a música depende unicamente da aptidão do médium ou também do Espírito comunicante?

— Algumas vezes do médium, outras do Espírito. Os Espíritos superiores possuem todas as aptidões, os Espíritos inferiores têm conhecimentos limitados.

23. Por que motivo um homem dotado de grande talento numa existência não o possui na seguinte?

— Não é sempre assim, pois muitas vezes ele aperfeiçoa numa existência o que começou na anterior. Mas pode acontecer que uma faculdade superior adormeça durante certo tempo para facilitar o desenvolvimento de outra. Será um germe latente que mais tarde germinará de novo, mas do qual sempre haverá alguns sinais ou pelo menos uma vaga intuição.