sábado, 28 de março de 2015

A Papisa na Jornada do Herói - A Mãe Celestial


 Ao oposto do Mago a Papisa ela principia o lado passivo, receptivo. Simbolizando a disposição paciente de deixar-se conduzir e de esperar o momento de reagir ao impulso (simbolizado do Mago, o principio masculino). Como ela sabe que todas as coisas têm o Tempo certo, consegue deixar as coisas acontecerem sem interferir ansiosamente. É a confiança da voz interior, que nos indica determinado caminho a seguir, quando e como devemos agir... Ou reagir. 
 No Tarô de Waite está sentada entre as duas colunas abertas, trazendo as letras B e J, de acordo com a Bíblia o Rei Salomão mandou construir duas colunas com as iniciais B e J. Significando os nomes Boaz e Joaquim (2Crônicas 3:17 e Reis 7:21).O significado dessas colunas ninguém sabe e também tem especulado muito sobre os seus nomes,uma dessas origens seria na maçonaria,na carta do Tarô uma é preta e a outra é branca,como luz e travas,dia e noite,verão e inverno,outono e primavera,onde Papisa fica no centro dessa polaridade ,porque ambos os lados valem muito para ela. 
 Ela não separa e nem avalia, pois sabe que a união de dois pólos resulta num todo, diante disto seria conseqüente unir as ler as letras como Baal e Javé. Baal era o consorte da Rainha do céu canaanita, Astatre, cujo era o lunar ao passo que Javé (Jeová), o Deus do Velho Testamento era um Deus de luz - como todas as divindades patriarcais combatiam as trevas. 
 Para a Papisa ambos os lados têm seu valor, porque todas as separações são falsas porque na realidade. No intimo conhecemos a totalidade,quando saímos das Trevas e vamos à Luz,celebrando a comunhão de suas limitações e valorizações. A sabedoria do colo expressa na Papisa vem da Torá, ela não acreditava literalmente nos textos, mas no verdadeiro sentidos das suas palavras, o mesmo e expresso em Santa Maria: “Maria, conservava todas as estas recordações e a meditava em seu coração”. 
 O mesmo é feito nas fases da fase da Lua crescente, cheia e minguante que alem de acentuar sua natureza cíclica também representa a consciência lunar existente na carta.A Papisa representa o mundo dos sonhos,a intuição ,a intuição dos inter-relacionamentos.É a fonte de inspiração mais profunda quanto mais diminui a consciência solar,entramos cada vez mais num estado de penumbra. 



Aspectos Particulares

Nome: A Papisa ou A Grande Sarcedotisa
Arquétipo: A Rainha do Céu
Tarefa: Esperar pacientemente, pelo momento certo, ser receptivo, ser um eco, manter-se a disposição.
Objetivo: Certeza intuitiva, consciência profunda. Sentir inter-relacionamentos,
Compreender sonhos e prever desenvolvimentos.
Risco: Fuga da Realidade, hesitação, indecisão duradoura.
Disposição Intima:Poder deixar as coisas acontecer,ter confiança por saber que é orientado,ficar inspirado num estado de consciência alterada.

sexta-feira, 27 de março de 2015

O Livro Médiuns :O Papel dos médiuns nas comunicações


— É uma questão de palavras que pouco nos importa, desde que vos entendais. Sois livres de chamar homens a um fantoche.





223. 1. No momento em que exerce a sua faculdade o médium se acha em estado perfeitamente normal?

— Às vezes se acha num estado de crise mais ou menos definido. É isso que o fadiga e é por isso que necessita de repouso. Mas, na maioria das vezes, seu estado não difere muito do normal, sobretudo nos médiuns escreventes.

2. As comunicações escritas ou verbais podem ser também do próprio Espírito do médium?

— A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra. Se ela goza de um certo grau de liberdade, recobra então as suas qualidades de Espírito. Tens a prova na visita das almas de pessoas vivas que se comunicam contigo, muitas vezes sem serem chamadas. Porque é bom saber que entre os Espíritos que evocas há os que estão encarnados na Terra. Nesses casos eles te falam como Espíritos e não como homens. Por que o médium não poderia fazer o mesmo?

2. a . Esta explicação não parece confirmar a opinião dos que acreditam que todas as comunicações são do Espírito do médium e não de outro Espírito?

— Eles só estão errados por entenderem que tudo é assim: Porque é certo que o Espírito do médium pode agir por si, mas isso não é razão para que outros Espíritos não pudessem agir também por seu intermédio.

3. Como distinguir se o Espírito que responde é o médium ou se é outro Espírito?

— Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás. É sobretudo no estado sonambúlico ou de êxtase que o Espírito do médium se manifesta, pois então se acha mais livre. No estado normal é mais difícil. Há resposta, aliás, que não lhe podem ser atribuídas. Por isso é que te digo para observar e estudar.

Observação de Kardec: Quando uma pessoa nos fala, facilmente distinguimos o que é dela e o de que ela apenas se faz eco. Acontece o mesmo com os médiuns.

4. Desde que o Espírito do médium pôde adquirir,em existências anteriores, conhecimentos que esqueceu no seu corpo atual, mas dos quais se lembra como Espírito, não o pode tirar do fundo de si mesmo as idéias que parecem ultrapassar o alcance de sua instrução?

— Isso acontece muitas vezes nos casos de crise sonambúlica ou extática, mas ainda assim existem circunstâncias que não permitem a dúvida: estuda longamente e medita.

5. As comunicações do Espírito do médium são sempre inferiores às que pudessem ser dadas por outros Espíritos?

— Sempre, não, pois o Espírito comunicante pode ser de uma ordem inferior à do médium e nesse caso falará com menos sensatez. Vê-se isso no sonambulismo, pois sendo o Espírito do sonâmbulo o que freqüentemente se manifesta, no entanto diz algumas vezes coisas muito boas.

6. O Espírito comunicante transmite diretamente o seu pensamento ou tem como intermediário o Espírito do médium?


— O Espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para a comunicação e porque é necessária essa cadeia entre vós e os Espíritos comunicantes, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia à distância, e na ponta do fio uma pessoa inteligente que a receba e comunique.

7. O Espírito do médium influi nas comunicações de outros Espíritos que ele deve transmitir?

— Sim, pois se não há afinidade entre eles, o Espírito do médium pode alterar as respostas, adaptando-as às suas próprias idéias e às suas tendências. Mas não exerce influência sobre os Espíritos comunicantes. É apenas um mau intérprete.

8. É essa a causa da preferência dos Espíritos por certos médiuns?

— Não existe outro motivo.Procuram o intérprete que melhor simpatize com eles e transmita com maior exatidão o seu pensamento. Se houver simpatia entre eles, o Espírito do médium será um antagonista que lhe oferecerá resistência, tornando-se um intérprete de má vontade e quase sempre infiel. Acontece o mesmo entre vós, quando as idéias de um sábio são transmitidas por um insensato ou uma pessoa de má fé.

9. Concebe-se que seja assim para os médiuns intuitivos, mas quando se trata de médiuns mecânicos?

— Não compreendestes bem a função do médium. Há uma lei que ainda te escapa. Lembra-te de que, para produzir o movimento de um corpo inerte o Espírito necessita do fluido animalizado do médium, de que se serve, por exemplo, para animar momentaneamente a mesa, fazendo-a obedecer à sua vontade. Pois bem, para uma comunicação inteligente ele necessita também de um intérprete inteligente, e esse intermediário é o Espírito do médium.

9 . a . Isto não parece aplicar-se às mesas falantes, pois quando estas e outros objetos inertes, como as pranchetas e as cestas, respondem de maneira inteligente, parece que o Espírito do médium não tem nenhuma participação?

— É um engano. O Espírito pode dar uma vida factícia momentânea a um corpo inerte, mas não a inteligência. Jamais um corpo inerte teve inteligência. É pois o Espírito do médium que recebe o pensamento sem o perceber e o transmite pouco a pouco, com a ajuda de diversos intermediários.

10. Parece resultar dessas explicações que o Espírito do médium não é jamais completamente passivo?

— Ele é passivo quando não mistura suas próprias idéias com as do Espírito comunicante, mas nunca se anula por completo. Seu concurso é indispensável como intermediário, mesmo quando se trata dos chamados médiuns mecânicos.

11. Não há maior garantia de independência no médium mecânico do que no médium intuitivo?

— Sem dúvida, e para algumas comunicações é preferível o médium mecânico. Mas, quando conhecemos as faculdades de um médium intuitivo, isso se torna indiferente, segundo as circunstâncias. Quero dizer que certas comunicações exigem menos precisão.

12. Entre os diferentes sistemas propostos para explicar os fenômenos espíritas há um que pretende estar a verdadeira mediunidade nos corpos inertes, por exemplo, na cesta ou na caixa de papelão que serve de instrumento. O Espírito comunicante se identificaria com o objeto e o tornaria não somente vivo, mas também inteligente, do que resulta a designação de médiuns inertes para os objetos. Que pensas disso?

— Só se tem a dizer o seguinte: se o Espírito transmitisse inteligência à caixa e lhe desse vida, ela escreveria sozinha, sem o concurso do médium. Seria estranho que o homem inteligente virasse máquina e um objeto inerte se tornasse inteligente. É um dos numerosos sistemas surgidos de idéias preconcebidas e que vão caindo diante da experiência e da observação.

13. Um fenômeno bem conhecido poderia tornar admissível a ideia de existir, os corpos inertes assim animados, mais do que a vida e até mesmo do que a inteligência. É o das mesas, cestas etc., que exprimem, nos seus movimentos, a cólera ou a afeição?

— Quando um homem colérico sacode uma bengala não é esta que se acha encolerizada, nem mesmo a mão que a segura, mas o pensamento que dirige a mão. As mesas e as cestas não são mais inteligentes do que a bengala. Não têm nenhum sentimento inteligente, mas obedecem a uma inteligência. Numa palavra: não é o Espírito que se transforma em cesta, nem mesmo escolhe a cesta para nela se abrigar.

14. Se não é racional atribuir inteligência a esses objetos, pode-se considerá-los como uma variedade de médiuns, designando-o por médiuns inertes?


15. Os Espíritos só têm a linguagem do pensamento, não a articulada, e portanto usam apenas uma língua. Assim, um Espírito poderia exprimir-se por via mediúnica numa língua que nunca falara quando vivo. Nesse caso, de onde tira as palavras que emprega?

— Já respondeste a pergunta por ti mesmo, ao dizer que os Espíritos só tem uma língua, que é a do pensamento. Todos compreendem essa língua, tanto os homens como os Espíritos. Ao dirigir-se ao Espírito encarnado do médium, o Espírito errante não fala em francês nem em inglês, mas na língua universal do pensamento. Para traduzir as suas idéias numa linguagem articulada, transmissível, e ele utiliza as palavras do vocabulário do médium.

16. Se for assim, o Espírito só deveria exprimir-se na língua do médium, mas sabe-se que escreve em línguas que lhe são desconhecidas. Não há nisso uma contradição?

— Observe-se primeiro que nem todos os médiuns são igualmente aptos a esse gênero do exercício. Em seguida, que os Espíritos só se prestam a ele acidentalmente, quando julgam que isso pode ser útil. Para as comunicações usuais, de certa extensão, preferem servir-se de uma língua familiar ao médium, que lhes apresenta menos dificuldades materiais a superar.

17. A aptidão de certos médiuns para escreverem numa língua estranha não provém do fato de a terem usado noutra existência, conservando-a na atual em forma intuitiva?

— Certamente isso pode acontecer, mas não é uma regra. O Espírito pode, com algum esforço, superar momentaneamente a resistência material. É o que se verifica quando o médium escreve, na sua própria língua que não conhece.

18. Uma pessoa que não sabe escrever, poderia fazê-lo como médium?

— Sim, mas compreende-se que haverá grande dificuldade mecânica a vencer, pois a mão não está habituada aos movimentos necessários para formar as letras. Acontece o mesmo com os médiuns desenhistas que não sabem desenhar.

19. Um médium de inteligência bem reduzida poderia transmitir comunicações de ordem elevada?

— Sim, pela mesma razão que um médium pode escrever numa língua que não conhece. A mediunidade propriamente dita independe da inteligência, como das qualidades morais. Na falta de melhor instrumento o Espírito pode servir-se do que tem à mão. Mas é natural que, para as comunicações de certa ordem, prefira o médium que lhe oferece menos obstáculos materiais. E há ainda outra consideração: o idiota freqüentemente só é idiota pela imperfeição dos seus órgãos, pois o seu Espírito pode ser mais adiantado do que se pensa. Tens a prova disso por algumas evocações de idiotas mortos ou vivos.

Observação de Kardec: Este é um fato comprovado pela experiência. Numerosas vezes evocamos Espíritos de idiotas vivos, que deram provas patentes de sua identidade, respondendo-nos de maneira muito sensata e até mesmo superior. Esse estado é uma punição para o Espírito, que sofre com o constrangimento em que se encontra. Um médium idiota pode oferecer, pois, algumas vezes, ao Espírito que deseja manifestar-se, maiores recursos do que se pensa. (Ver Revista Espírita de julho de 1860, artigo sobre Frenologia e Fisiognomia.)

20.Como se explica à aptidão de certos médiuns para escrever em versos, apesar de sua ignorância em matéria de poesia?

— A poesia é uma linguagem. Eles podem escrever em versos como podem fazê-lo numa língua que desconhecem. Além disso podem ter sido poetas em outra existência. Como já disse, os conhecimentos adquiridos nunca se perdem para o Espírito, que deve atingir a perfeição em todas as coisas. Assim, o que eles souberam no passado lhes dá, sem que o percebam, uma facilidade que não possuem no estado habitual.

21.É o mesmo caso dos que têm aptidão especial para o desenho e a música?

— Sim. O desenho e a música são também forma de expressão do pensamento. Os Espíritos se servem dos instrumentos que lhes oferecem mais facilidades.

22. A expressão do pensamento pela poesia, o desenho ou a música depende unicamente da aptidão do médium ou também do Espírito comunicante?

— Algumas vezes do médium, outras do Espírito. Os Espíritos superiores possuem todas as aptidões, os Espíritos inferiores têm conhecimentos limitados.

23. Por que motivo um homem dotado de grande talento numa existência não o possui na seguinte?

— Não é sempre assim, pois muitas vezes ele aperfeiçoa numa existência o que começou na anterior. Mas pode acontecer que uma faculdade superior adormeça durante certo tempo para facilitar o desenvolvimento de outra. Será um germe latente que mais tarde germinará de novo, mas do qual sempre haverá alguns sinais ou pelo menos uma vaga intuição.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Conversando com Star

           Joneth de Carvalho

     

Certo dia, um cliente faltou sem aviso prévio. Isso às vezes acontece e, “de repente” (*), surge uma lacuna, um espaço vazio na agenda. Podemos preencher rapidamente esse buraco com qualquer coisa, ou então permitir a existência do vazio, sentindo-o, até brotar a inspiração do que fazer. Bem, escolhi a segunda opção. Naquelas duas horas à deriva fui dar uma volta pelo quarteirão, sentar sob uma mangueira florida e conversar com a gentil funcionária da farmácia de florais e homeopatia. O diálogo foi mais ou menos assim:
— Oi, Tudo bem? – perguntei a ela.
— Tudo. E você? – retornou a atendente.
— Tudo também. Mas tá tudo bem de verdade contigo? – insisti, pois inconscientemente estava pedindo para ouvir…
— Um pouco cansada. Saudades de ter de volta minha casa só para mim.
Uma interrogação deve ter ficado estampada em minha face, pois ela continuou:
— É que acolhi uns peregrinos em casa e a rotina muda, sabe. Entra e sai gente toda hora e se acaba perdendo um pouco a privacidade. Eles ficam com a chave e têm liberdade nos horários…
— Mas são seus amigos?
— Não, ainda não. São desconhecidos. São de uma igreja que conheço.
— Como assim? Você deixa sua casa nas mãos de desconhecidos!? E se suas coisas sumirem? Não tem medo? – perguntei numa atitude de repreensão.
— Eu não vim nessa encarnação como caramujo para ficar carregando casa nas costas...
Algumas vezes, não só ouvimos, mas também sentimos, quando a verdade é dita. Confesso: arrepiei. Bem, essa conversa realmente existiu naquela tarde da lacuna. Melhor, essa conversa ainda persiste em martelar minha cabeça: Desapego? Confiança? Sabedoria profunda e reconhecimento do para quê estou aqui? Tranquilidade e serenidade? Humildade? Fé? Algumas respostas fui recebendo aos poucos pelas sincronicidades, pedaços de músicas, provérbios, textos de livros etc. Mas só há pouco redescobri – pois já havia lido, mas não vivenciado – que a atitude da atendente está conectada ao Arcano XVII – A Estrela. E colocando no contexto:
XVI – A Torre, também conhecida como a Casa de Deus, é uma imagem forte, onde um raio (e raios são coisas que acontecem “de repente”) cai como um feixe de labaredas sobre uma torre e arremessa dois homens rumo ao chão. Assustador, libertador e incontrolável.

   



 XVII – A Estrela é o décimo sétimo arcano maior do Tarô. Retrata basicamente uma mulher totalmente nua, de cabelos azuis, ajoelhada à margem de um rio, segurando dois jarros, enquanto despeja um na terra e outro nas águas. É noite e há oito estrelas acima da mulher. Em um canto, uma árvore com um pássaro.
Já XVIII – A Lua, a imagem de uma grande lua que absorve gotas advindas do plano inferior da carta, onde há cães (ou algo do gênero) e mais abaixo uma abertura aquática onde surge um grande lagostim. Uivos ensurdecedores, trajeto desafiante, abertura das profundezas.
Uma forma que gosto de utilizar para entrar em contato com os arcanos é a de dialogar com a imagem. Podemos fazer isso também com os objetos, pedras, árvores, plantinhas, esculturas…
Esse recurso abre oportunidade para entrar em contato com as sensações que recebemos pelos cinco sentidos, pois começamos inicialmente com uma detalhada descrição: cor, tamanho, forma, textura, temperatura, cheiro, gosto e assim vai. Depois de já conhecer e saber mais sobre o objeto, iniciamos uma conversa (que pode ser apenas mental), onde imaginamos, ou melhor, deixamos fluir a resposta em nossa direção. Às vezes nem precisamos do objeto físico (por exemplo, como já tenho praticamente a imagem do tarô de Marselha gravado na memória, nem preciso pegar a carta).
Algumas dicas: Pela prática, percebi que é melhor fazer este exercício sozinho; afinal conversar com algum objeto não é algo aceito com naturalidade em nossa cultura. Também reparei que no recolhimento solitário de um quarto as respostas parecem surgir mais facilmente.
É bom, ainda, realizar alguma meditação, silenciar interiormente, acalmar os pensamentos e emoções, diminuindo os barulhos das vozes internas para poder ouvir a voz desejada.
O relato abaixo aconteceu diante desse método, incluindo partes de músicas, livros e pessoas que surgiram de forma inesperada durante estas últimas três semanas.
Vamos, então, à conversa que tive com o Arcano. Eu a chamo carinhosamente de Star e é com ela, a mulher nua, que dialogo:
— Boa noite, Star. Tudo bem?
— Sim, obrigada. E com você?
— Não muito. Me sinto perdido. Vim pedir sua ajuda.
— Sou grata por você vir aqui.
— E eu também. Mas o que você está fazendo?
— Eu derramo na correnteza fluída da vida tudo o que possuo. Eu deixo tudo o que há em mim ir embora.
— Mas não é bom guardar um pouquinho? Há uma longa jornada noturna pela frente!
— Não preciso de reservas. Sei que não há garantias de ultrapassar a próxima casa. Assim, escolho entregar à Vida tudo o que conquistei, fiz e aprendi. Sinto que eu já cumpri meu papel. Me sinto realizada e agora estou em paz. Isto é excelente: deixar ir embora traz uma sensação de leveza, tranquilidade e serenidade. Quando comecei a fazer isso percebi que sempre há coisas novas que surgem a partir de mim... Eu também sou a criadora.
— Fico preocupado em vê-la nua. Me parece que você fica vulnerável. Onde estão tuas roupas?
— Eu me despi na casa anterior, A Casa de Deus. Lembra-se do raio, Joneth? Aprendi que existe esse “de repente” que você menciona tanto e realmente aprendi com ele.  Mas, aqui, nesta minha casa, não fique à espera do “de repente” acontecer. Aqui, prevalece a sua escolha, que cabe só a você mesmo, de se liberar, se despir.         
— Aprenda o que é a verdadeira libertação: “Liberdade do medo, do sofrimento, de uma sensação de insuficiência e de falta de alguma coisa e, portanto, de todos os desejos, necessidades, cobiça e dependência” (1). Venha se libertar destas ilusões. Veja, eu estou livre e meu gesto artístico foi me despir totalmente. Entenda que sou vulnerável a muitas coisas, mas, ao mesmo tempo, integrada além do tempo e espaço com algo muito maior, pois participo do Divino. Em vez de me proteger, esconder e de tentar controlar o processo da vida, eu escolho me despir dessas aparências inúteis e superficiais, de panos e tijolos, para revelar a todos o que eu realmente sou, minha verdadeira identidade, a minha Essência. Eu me entrego à sabedoria maior, com humildade. Tenho fé e confiança na bondade do Universo. “Sugiro que há um guerreiro que nasce do poeta” (3), da percepção do invisível, desta própria nudez.

— Continuo preocupado com isso…
— Por favor, pare com isso. Olhe por um momento para esse imenso céu estrelado acima de mim. Ouça seu silêncio pacífico, veja de verdade a sua imensidão e perceba a conexão que está além das aparências, além da razão, e que envolve tudo, até mesmo o canto do pássaro na árvore. Tudo está em profunda sintonia. Está tudo certo. Sente isso? E eu me sinto pertencente inteiramente a este “Todo Maravilhoso”. Entenda de uma vez:“O essencial é invisível aos olhos" (2). Aí você encontrará a coragem para desapegar. Você quer?
— Olha… Eu quero… Mas parece algo bem difícil…
— Sim, eu sei, mas esse é o desafio na minha casa. Deixe-me guiá-lo um pouco mais. Sugiro que você olhe a sua mão. O que vê?
— Bem, vejo dedos, palma, pele, unhas e pelos.
Vamos, veja algo mais. Veja a Beleza em sua mão. Percorra as linhas, olhe uma linha com profundidade. Vê os minúsculos tracinhos que parecem pequenas inscrições? Isso não é Belo? Essa mão é uma obra de arte que está além das palavras e conceitos mentais; é única, fruto da bondade da Existência. Isso soa como “Ver a eternidade num grão de areia" - Blake (3). Sentir essa beleza é a Verdade que você precisa e ela já existe em você, sempre existiu…
— Soa bonito…
— Fique então na Beleza e Humildade dessa minha casa, reconhecendo sua própria essência interior, que traz tranquilidade e serenidade para perceber qual o seu chamado. Chamado para iniciar o novo ciclo, a nova casa. Chamado para sua missão e propósito. Inspire sua própria Beleza única e incomensurável de ser quem você já é…
— Eu achava que beleza era algo superficial, estética, algo descartável...
— De modo algum. A Beleza sobre a qual estamos a falar aqui é o outro pão necessário que também nos sustenta. Nas palavras de Maomé: “Se eu tivesse somente dois pedaços de pão, trocaria um deles por jacintos para alimentar minha Alma”. Não será só do pão físico, do dinheiro, das posses materiais e recursos mundanos (e isso inclui seus livros e baralhos, meu caro), que virá a sua segurança e força no desafio da próxima casa, A Lua. Este pão da Beleza oferece a dimensão e o significado de você existir, de querer pertencer à vida e de viver, pois é “assim mesmo que é composta a vida humana... O ser humano, guiado pelo sentido da Beleza, transpõe o acontecimento fortuito... O homem inconscientemente compõe sua vida segunda as leis da Beleza, mesmo nos instantes do mais profundo desespero.”(7) A Beleza traz força às nossas palavras, sonhos e propósitos de estar aqui, então “aprenda a possibilidade de transcender o mundo das aparências”.(4)
— Tudo isso parece tão fantástico, insólito… Ilusão, utopia.
— A Ilusão existe e é necessária para você aprender a reconhecer o Real. Faça agora, por você mesmo, uma abertura na sua rotina. Seja o seu próprio “de repente”. O raio é um clarão breve. Aqui, em minha casa, a Estrela brilha leve, sutil e constante. Mais adiante, nas próximas casas, a iluminação vai aumentar em intensidade e duração. Descanse aqui comigo.
— Sim, eu quero ficar aqui com você.
— Vou lhe contar o mito da deusa assíria Ishtar. Ela, uma das mais poderosas e intensas manifestações do feminino, era deusa guerreira e também do amor. Em sua juventude, amava Tammuz, o deus da colheita. Dizia-se que seu amor lhe causara a morte. Consumida pela tristeza, Ishtar desceu ao mundo dos espíritos na esperança de rever Tammuz. A cada um dos sete portões, Ishtar tirava uma peça do vestiário, da armadura, dos enfeites e acabou totalmente nua e vulnerável. A cada portão ela sabia o que acontecia, mas reafirmava sua escolha. Não é à toa que nossos nomes se parecem. Do nosso despir mais profundo nasce a afirmação do que somos e para que estamos aqui.
— É... Eu entendo o que Ishtar fez pelo amor que sentia… Então você está também relacionada ao amor, é isso?
         
— Sim. Toda a jornada dos Arcanos Maiores é também para religar-se com o Amor. Joneth, eu venho lhe mostrar um caminho melhor que o da dor, sofrimento e medo que você já viveu em sua jornada, nas casas anteriores. Tudo foi necessário para que você se tornasse mais forte. Agora, veja, todos precisamos de uma ajudinha. E quero lhe mostrar que o poder mais humano de todos, a esperança, existe. Preciso que você volte a ter esperança (5). Volte a acreditar novamente em si mesmo e na Vida; que traga à tona a verdade de que você é Amor e está aqui para Amar. Quero lhe mostrar que “cada um pode com a força que tem, na leveza e na doçura, de ser feliz” (6). Fique comigo até que seu pássaro cante e assim, no momento certo, você partirá adiante em sua jornada, renovado na fé.
— Obrigado por ficar comigo, Star.
Essa conversa também aconteceu, pelo menos no meu mundo interno e isso não a faz menos real. Bem, ainda não sei exatamente qual meu propósito de estar aqui. Continuo um pouco perdido. Mas sei do que gosto. Sei que é bom amar. E sei que também quero cultivar esse Arcano na forma do desapego, serenidade, humildade, fé e esperança. Desejo que todas essas flores fiquem sempre presentes em nossos jardins. Minha gratidão a todos os que ajudam, confiam e acreditam. Uma ótima Primavera!
     
Fontes inspiradoras para este texto:
(*) A todas pessoas que “de repente” encontro e que me tocam profundamente.
(1) Eckhart Tolle - O Poder do Agora.,
(2) Saint Exupery - O pequeno principe.
(3) Rubem Alves - Lições de Feitiçaria.
(4) Irene Gad - Tarô e Individuação.
(5) Filme X-men - Dias de um futuro esquecido.
(6) Vanessa da Mata - Onde ir.
(7) Milan Kundera - A insustentável leveza do ser.
   

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O Evangelho Segundo O Espiritismo:Os Bons Espíritas(Cap.17 ítem 4) Allan Kardec




4 – O Espiritismo bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, conduz forçosamente aos resultados acima, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pois um e outro são a mesma coisa. O Espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.
Muitos, porém, dos que creem na realidade das manifestações, não compreendem as suas consequências nem o seu alcance moral, ou, se os compreendem, não os aplicam a si mesmos. Por que acontece isso? Será por uma falta de precisão da doutrina? Não, porque ela não contém alegorias, nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é a sua própria essência, e é isso que lhe dá força, para que atinja, diretamente a inteligência. Nada tem de mistérios, e seus iniciados não possuem nenhum segredo que seja oculto ao povo.
Seria necessária, então, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, pois veem-se homens de notória capacidade, que não a compreendem, enquanto inteligências vulgares, até mesmo de jovens que mal saíram da adolescência, apreendem com admirável justeza as suas mais delicadas nuanças. Isso acontece porque a parte, de qualquer maneira, material da ciência, não requer mais do que os olhos para ser observada, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, que podemos chamar de maturidade do senso moral, maturidade essa independente da idade e o grau de instrução, porque é inerente ao desenvolvimento, num sentido especial, do espírito encarnado.
Em algumas pessoas, os laços materiais são ainda muito fortes, para que o espírito se desprenda das coisas terrenas. O nevoeiro que as envolve impede-lhes a visão do infinito. Eis por que não conseguem romper facilmente com os seus gostos e os seus hábitos, não compreendendo que possa haver nada melhor do que aquilo que possuem. A crença nos Espíritos é para elas um simples fato, que não modifica pouco ou nada as suas tendências instintivas. Numa palavra, não vêem mais do que um raio de luz, insuficiente para orientá-las e dar-lhes uma aspiração profunda, capaz de modificar-lhes as tendências. Apegam-se mais aos fenômenos do que à moral, que lhes parece banal e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente as iniciem em novos mistérios, sem indagarem se tornaram dignas de penetrar os segredos do Criador. São, afinal, os espíritas imperfeitos, alguns dos quais estacionam no caminho ou se distanciam dos seus irmãos de crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou porque preferem a companhia dos que participam das suas fraquezas ou das suas prevenções. Não obstante, a simples aceitação da doutrina em princípio é um primeiro passo, que lhes facilitará o segundo, numa outra existência.
Aquele que podemos,com razão, qualificar de verdadeiro e sincero espírita, encontra-se num grau superior de adiantamento moral. O Espírito já domina mais completamente a matéria e lhe dá uma percepção mais clara do futuro; os princípios da doutrina fazem vibrar-lhe as fibras, que nos outros permanecem mudas; numa palavra: foi tocado no coração, e por isso a sua fé é inabalável. Um é como o músico que se comove com os acordes; o outro, apenas ouve os sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações. Enquanto um se compraz no seu horizonte limitado, o outro, que compreende a existência de alguma coisa melhor, esforça-se para se libertar, e sempre o consegue, quando dispõe de uma vontade firme.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Distinção Entre Espiritos Bons e Maus -Cap. 24 Livro dos Médiuns

262. Se a perfeita identificação dos Espíritos é, em muitos casos, uma questão secundária, sem importância, não se dá o mesmo com a distinção entre os Espíritos bons e maus. Sua individualidade pode ser-nos indiferente, mas a sua qualidade jamais. Em todas as comunicações instrutivas é sobre esse ponto que devemos concentrar nossa atenção, pois só ele pode nos dar a medida da confiança que podemos ter no Espírito manifestante, seja qual for o nome com que se apresente. O Espírito que se manifesta é bom ou mau? A que grau da escala espírita pertence? Essa a questão capital. (Ver Escala Espírita no item 100 de O Livro dos Espíritos)
263. Julgamos os Espíritos, já o dissemos, pela linguagem, como julgamos os homens. Suponhamos que um homem receba vinte cartas de pessoas que não conhece. Pelo estilo, pelas idéias, por numerosos indícios julgará quais são as instruídas e quais as ignorantes, educadas ou sem educação, profundas, frívolas, orgulhosas, sérias, levianas, sentimentais etc. Acontece o mesmo com os Espíritos. Devem considerá-los como correspondentes que nunca vimos e perguntar o que pensaríamos da cultura e do caráter de um homem que dissesse ou escrevesse aquelas coisas. Podemos tomar como regra invariável e sem exceção que a linguagem dos Espíritos corresponde sempre ao seu grau de elevação.
Os Espíritos realmente superiores não se limitam apenas a dizer boas coisas, mas as dizem em termos que excluem absolutamente qualquer trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se forem manchadas por única expressão de baixeza temos um sinal indubitável de inferioridade. E com mais forte razão se o conjunto da comunicação ferir as conveniências por sua grosseria. A linguagem revela sempre a sua origem, seja pelo pensamento ou pela forma. Assim, mesmo que um Espírito quisesse enganar-nos com a sua pretensa superioridade, bastaria conversamos algum tempo com ele para o julgarmos.
264. A bondade e a afabilidade são também atributos essenciais dos Espíritos depurados. Eles não alimentam ódio nem para com os homens nem para com os demais Espíritos. Lamentam as fraquezas e criticam os erros, mas sempre com moderação, sem amarguras nem animosidades. Se admitirmos que os Espíritos verdadeiramente bons só podem querer o bem e dizer boas coisas, concluiremos que tudo o que, na linguagem dos Espíritos, denote falta de bondade e afabilidade não pode provir de um Espírito bom.
265. A inteligência está longe de ser um sinal seguro de superioridade, porque a inteligência e a moral nem sempre andam juntas. Um Espírito pode ser bom, afável e ter conhecimentos limitados, enquanto um Espírito inteligente e instruído pode ser moralmente bastante inferior.
Geralmente se pensa que interrogando o Espírito de um homem que foi sábio na Terra, em certa especialidade, obtém-se a verdade com mais segurança. Isso é lógico, e não obstante nem sempre é certo. A experiência demonstra que os sábios, tanto quanto os outros homens, sobretudo os que deixaram a Terra há pouco, estão ainda sob o domínio dos preconceitos da vida corpórea, não se livrando imediatamente do espírito de sistema. Pode assim acontecer que, influenciados pelas idéias que alimentaram em vida e que lhes deram a glória, vejam com menos clareza do que supomos. Não damos este princípio como regra. Longe disso. Advertimos apenas que isso acontece e que, por conseguinte, sua sabedoria humana nem sempre é uma garantia de sua infalibilidade como Espíritos.
266. Submetendo-se todas as comunicações a rigoroso exame, sondando e analisando suas idéias e expressões, como se faz ao julgar uma obra literária – e rejeitando sem hesitação tudo o que for contrário à lógica e ao bom senso, tudo o que desmente o caráter do Espírito que se pensa estar manifestando, — consegue-se desencorajar os Espíritos mistificadores que acabam por se afastar, desde que se convençam de que não podem nos enganar.
 
Repetimos que este é o único meio, mas é infalível porque não existe comunicação má que resista a uma crítica rigorosa Os Espíritos bons jamais se ofendem, pois eles mesmos nos aconselham a proceder assim e nada têm a temer do exame. Somente os maus se melindram e procuram dissuadir-nos, porque têm tudo a perder. E por essa mesma atitude provam o que são.
Eis o conselho dado por São Luís a respeito:
“Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes d vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente aos vos entregar aos estudos: a de pensar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão todas as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, de pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião”.
267. Podemos resumir os meios de reconhecer a qualidade dos Espíritos nos seguintes princípios:
1º) Não há outro critério para se discernir o valor dos Espíritos senão o bom senso. Qualquer fórmula dada pelos próprios Espíritos, com esse fim, é absurda e não pode provir de Espíritos superiores.
2º) Julgamos os Espíritos pela sua linguagem e as suas ações. As ações dos Espíritos são os sentimentos que eles inspiram e os conselhos que dão.
3º) Admitido que os Espíritos bons só podem dizer e fazer o bem, tudo o que é mau não pode provir de um Espírito bom.
4º) A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem qualquer mistura de trivialidade. Eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, nunca se vangloriam, não fazem jamais exibição do seu saber nem de sua posição entre os demais. A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares é sempre algum reflexo das paixões humanas. Toda expressão que revele baixeza, auto-suficiência, arrogância, fanfarronice, mordacidade é sinal característico de inferioridade. E de mistificação, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado.
5º) Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e a correção do seu estilo, mas sondar-lhes o íntimo, analisar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Toda falta de lógica, de razão e de prudência não pode deixar dúvida quanto à sua origem, qualquer que seja o nome de que o Espírito se enfeite. (Ver nº 224).
6º) A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, se não quanto à forma, pelo menos quanto à substância. As idéias são as mesmas, sejam quais forem o tempo e o lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidas segundo as circunstâncias, as dificuldades ou facilidade de se comunicar, mas não serão contraditórias. Se duas comunicações com o mesmo nome se contradizem, uma das duas é evidentemente apócrifa. A verdadeira será aquela que nada desminta o caráter conhecido do personagem., Entre duas comunicações assinadas, por exemplo, por São Vicente de Paulo, uma pregando a união e a caridade e outra tendendo a semear a discórdia, não há pessoa sensata que possa enganar-se.
7º) Os Espíritos bons só dizem o que sabem, calando-se ou confessando a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se importar coma verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom senso revela a fraude, se o Espírito se apresenta como esclarecido.
8º) Os Espíritos levianos são ainda reconhecidos pela facilidade com que predizem o futuro e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos conhecer. Os Espíritos bons podem fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando esse conhecimento for útil, mas jamais precisam as datas. Todo anúncio de acontecimento para uma época certa é indício de mistificação.
9º) Os Espíritos superiores se exprimem de maneira simples, sem prolixidade. Seu estilo é conciso, sem excluir a poesia das idéias e das expressões, claro, inteligível a todos, não exigindo esforço para a compreensão. Eles possuem a arte de dizer muito em poucas palavras, porque cada palavra tem o seu justo emprego. Os Espíritos inferiores ou pseudo-sábios escondem sob frases empolgadas o vazio das idéias. Sua linguagem é freqüentemente pretensiosa, ridícula ou ainda obscura, a pretextozparecer profunda.
 
10º) Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição.
São exclusivistas e absolutos ns suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara.
11º) Os Espíritos bons não fazem lisonjas. Aprovam o bem que se faz, mas sempre de maneira prudente. Os maus exageram nos elogios, excitam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal daqueles que desejam conquistar.
12º) Os Espíritos superiores mantêm-se, em todas as coisas, acima das puerilidades formais. Os Espíritos vulgares são os únicos que podem dar importância a detalhes mesquinhos, incompatíveis com as idéias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e mistificação de parte de um Espírito que toma um nome pomposo.
13º) Devemos desconfiar dos nomes bizarros e ridículos usados por certos Espíritos que desejam impor-se à credulidade. Seria extremamente absurdo tomar esses nomes a sério.
14º) Devemos igualmente desconfiar dos Espíritos que se apresentam com muita facilidade usando nomes bastante venerados, e só com muita reserva aceitar o que dizem. Nesses casos, sobretudo, é que um controle se torna indispensável. Porque é freqüentemente a máscara que usam para levar-nos a crer em pretensas relações íntimas com Espíritos excelsos. Dessa maneira eles lisonjeiam a vaidade do médium e se aproveitam dela para o induzirem a atos lamentáveis e ridículos.
15º) Os Espíritos bons são muito escrupulosos no tocante às providências que podem aconselhar. Em todos os casos têm apenas em vista um fim sério e eminentemente útil. Devemos pois encarar como suspeitas todas aquelas que não tenham esse caráter ou sejam condenáveis pela razão, refletindo maduramente antes de adotá-las, pois do contrário nos exporemos a mistificações desagradáveis.
16º) Os Espíritos bons são também reconhecíveis pela sua prudente reserva no tocante às coisas que possam comprometer-nos. Repugna-lhes desvendar o mal. Os Espíritos levianos ou malfazejos gostam de expô-lo. Enquanto os bons procuram abrandar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a discórdia por meio de pérfidas insinuações.
17º) Os Espíritos bons só ensinam o bem. Toda máxima, todo conselho que não for estritamente conforme a mais pura caridade evangélica não pode provir de Espíritos bons.
18º) Os Espíritos bons só dão conselhos perfeitamente racionais. Toda recomendação que se afaste da linha reta do bom senso ou das leis imutáveis da Natureza acusa a presença de um Espírito estrito e portanto pouco digno de confiança.
19º) Os Espíritos maus ou simplesmente imperfeitos ainda se revelam por sinais materiais que a ninguém poderão enganar. A ação que exercem sobre o médium é às vezes violenta, provocando movimentos bruscos e sacudidos, uma agitação febril e convulsiva que contrasta com a calma e a suavidade dos Espíritos bons.
20º) Os Espíritos imperfeitos aproveitam-se freqüentemente dos meios de comunicação de que dispõem para dar maus conselhos. Excitam a desconfiança e a animosidade entre os que lhes são antipáticos. Principalmente as pessoas que podem desmascarar a sua impostura são visadas pela sua maldade.
As criaturas fracas, impressionáveis, tornam-se alvo do seu esforço para levá-las ao mal. Usam sucessivamente os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e até as provas materiais do seu poder oculto para melhor convencê-las, empenhando-se em desviá-las do caminho da verdade.
21º) Os Espíritos dos que tiveram, na Terra, umas preocupações exclusivas, materiais ou morais, se ainda não conseguiram libertar-se da influência da matéria continuam dominados pelas idéias terrenas. Carregam parte dos preconceitos, das predileções e até mesmo das manias que tiveram aqui. Isso é fácil de se reconhecer pela sua linguagem.
22º) Os conhecimentos de que certos Espíritos muitas vezes se enfeitam, com uma espécie de ostentação, não são nenhuns sinais de superioridade. A verdadeira pedra de toque para se verificar essa superioridade é a pureza inalterável dos sentimentos morais.
23º) Não basta interrogar um Espírito para se conhecer a verdade. Devemos, antes de tudo, saber a quem nos dirige. Porque os Espíritos inferiores, pela sua própria ignorância, tratam com leviandade as mais sérias questões. Também não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem para possuir no mundo espírita a soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo de Deus e ampliar os seus conhecimentos.
24º) Os gracejos dos Espíritos superiores são muitas vezes sutis e picantes, mas nunca banais. Entre os Espíritos zombeteiros, mas que não são grosseiros, a sátira mordaz é feita quase sempre muito a propósito.
25º) Estudando-se com atenção o caráter dos Espíritos que se manifestam, sobretudo sob o aspecto moral, reconhece-se a sua condição e o grau de confiança que devem merecer. O bom senso não se enganará.
26º) Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é necessário antes saber julgar-se a si mesmo. Há infelizmente muita gente que toma a sua própria opinião por medida exclusiva do bem e do mal, do verdadeiro e do falso, Tudo o que contradiz a sua maneira de ver, as suas idéias, o sistema que inventaram ou adotaram é mau aos seus olhos. Falta a essas criaturas, evidentemente, a primeira condição para uma reta apreciação: a retidão do juízo. Mas elas nem o percebem. Esse o defeito que mais enganos produz
Todas estas instruções decorrem da experiência e do ensino dos Espíritos. Completamo-las com as próprias respostas dadas por eles a respeito dos pontos mais importantes