sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Oiá-Tempo- O Tempo que gira, que vira e reequilibra a nossa fé

Oyá-Tempo é a Orixá que está assentada negativo (cósmico) do Trono da Fé. Junto com Oxalá, dá a sustentação a todas as manifestações da Fé e amparo a todos os “sacerdotes” virtuosos que estimulam a evolução religiosa dos seres. O campo preferencial de atuação da Mãe Oyá-Tempo é o religioso, onde Ela atua como ordenadora do caos religioso. Rege a religiosidade nos seres. Absorve a fé em desequilíbrio, para reconduzir os seres ao caminho do equilíbrio.

Ela é o próprio espaço-tempo onde tudo se manifesta. Por isso dizemos que é uma Divindade atemporal, ou seja, é em Si o próprio Tempo, não está sujeita ao Tempo, mas rege o seu sincronismo. Nossa relação ou noção de espaço-tempo depende da movimentação dos astros no espaço, e daí vêm os conceitos de dia e noite, bem como o nosso senso cronológico.



Simbolizada pela espiral do Tempo, manifesta-Se em todos os locais, assim como Oxalá, com o qual faz par, na Linha da Fé. Sendo um Orixá Cósmico, Ela pune quem se aproveita com más intenções das Qualidades Divinas relacionadas com a Fé e a Religiosidade.

Tempo é ”o vazio cósmico” onde são retidos todos os espíritos que atentam contra os princípios divinos que sustentam a religiosidade na vida dos seres. A essência cristalina irradiada pelo Divino Trono Essencial da Fé é neutra, quando irradiada. Mas como tudo se polariza em dois tipos de magnetismos, então o pólo positivo e irradiante é Oxalá e o pólo negativo e absorvente é Oyá-Tempo.

Oxalá é o Sol da vida enquanto Oiá-Tempo  é o Tempo, onde tudo se realiza.Oxalá é a Fé abrasadora enquanto Oiá-Tempo é o gélido Tempo, onde são desmagnetizados os seres desequilibrados nas coisas da Fé.Oxalá é o Pai amoroso que fortalece o íntimo dos seres e os conduz ao encontro do Divino Criador enquanto Oiá é o Tempo por onde caminham os seres que estão buscando o Criador.



Oxalá é a Fé de Deus nos Seus filhos enquanto Oiá-Tempo é o rigor divino para com os filhos que Lhe voltaram as costas.Oxalá é o Orixá da Fé enquanto Oiá-Tempo  é o Orixá do Tempo, pois é o tempo que atua no ser, acelerando sua busca pela Fé ou afastando-o das coisas religiosas, direcionando sua evolução para outros sentidos da Vida.

Oxalá é passivo no seu magnetismo de corrente contínua, cuja irradiação estimuladora da Fé chega a todos o tempo todo enquanto Oiá-Tempo  é ativa no seu magnetismo de corrente alternada, onde uma onda espiralada estimula a religiosidade, enquanto a outra onda esgota a espiritualidade na vida dos seres emocionados, fanatizados ou desequilibrados.





Aspectos particulares


Nome:Oiá-Tempo
Sincretização:Santa Clara, no candomblé pode ser São Francisco de Assis,São Lourenço e São 
Pólo:Oxalá (positivo)
Filiação: - 
Cor: cinza e branco ou apenas cinza 
Vela: branca 
Oferenda:canjica com tiras de coco,acaçá de leite ou de milho branco.
Símbolos e ferramentas: espada e ampulheta ou apenas ampulheta
Saudação: Tempo oiô, zara Tempo, olha o Tempo e  vira o Tempo ! 



sábado, 12 de dezembro de 2015

Arcano XVIII - A Lua e suas relações com outros arcanos

Flávio Alberoni


Considero de maneira especial este arcano, pois pessoas muito queridas em minha vida, o possuem como característica forte em sua personalidade.
Difícil ficarmos indiferentes às pessoas que o possuem como uma força intrínseca. Assim como também é difícil recorrer a seu estudo sem nos orientarmos por inúmeros pareceres e linhas de conhecimento muitas vezes conflitantes. Mas... isso é comum a todos os Arcanos. O estudo pormenorizado e racional muitas vezes descaracteriza a energia maravilhosa de cada um deles. Mas, como já disse anteriormente, não caio nessa: há muito renunciei o estudo meramente racional do tarô – talvez por falta de competência...
Peço, assim, ajuda a Cousté: O fundamental ante o tarô é uma atitude de disponibilidade tão despojada de superstição como de ceticismo. Mais adiante, ele acrescenta, citando Luc Benoist: O ponto de vista esotérico não pode ser admitido e compreendido a não ser pelo órgão do espírito que é a intuição intelectual ou intelecto, correspondendo à evidência interior das causas que precedem a toda a experiência.

Fazendo esta singela citação eu cedo um pouco aos ditames do Arcano, extremamente detalhista e enciclopédico em citações, comparações, trilhas no caminho, etc.


Primeiro a descrição da carta, coisa que qualquer livro de texto fornece de maneira bem mais detalhada. Um ser (cujo formato e tipo variam a gosto do freguês – caranguejo? lagostim?) sai de um lago e enfrenta um caminho sinuoso. Extremamente sinuoso. E logo no início é recebido por dois animais. Alguns dizem que se trata de um lobo e de um cão. Além da trilha sinuosa duas torres servem de fronteira a algo mais distante. Em cima, a Lua derrama lágrimas de cores diferentes. Há todo um universo de explicações para essas imagens. Passemos ao largo disto. Foge dos objetivos desta modesta exposição.

É impossível para mim avaliar o Arcano XVIII sem suas complementações associadas, como é o caso da sequência binária de Wirth, em que ele faz oposição com o Arcano V – O Papa. A carta da Lua está ladeada pelos arcano XVII – A Estrela e XIX – O Sol. Por outro lado, o arcano da Lua tem características bastante práticas, com relação à sua maneira de expressar, pois na mesma exposição de Wirth é tido como um arcano da linha prática, feminina e que busca as raízes das coisas. Também é múltiplo de três, o que equivale possuir uma criatividade em desenvolvimento e ser um elemento energético importante, com sua energia sempre em movimento.
Em sua busca a pessoa desperta o cão – a sociedade, e o lobo – a si próprio, com todas as suas agruras. E o caminho sinuoso indica que a cada dose acrescida de conhecimento, há um repouso, há uma cristalização. Nada indica conhecer mais e mais sem estabilizar o já adquirido.
Pelas pessoas que conheço regidas pelo XVIII, há uma relação em comum: detalhe, meticulosidade, vagarosidade na busca do conhecimento. Mas, sempre em profundidade, mesmo nos casos negativos.
Estrela, Sol e Lua

Este processo pode ser qualificado pelos arcanos próximos. Se ele possui um toque maior do – XVII – A Estrela, encontramos (em termos de personalidade) uma pessoa espiritualizada, com forte tendência aos estudos esotéricos. Ou um pesquisador metódico e ousado, com toques de criatividade extrema e até arriscada (também por influência do XVII – A Estrela).
Com o fator XIX – O Sol, em reboque, há um toque profundo pela busca de resultados, além da necessidade de harmonização. Por outro lado, uma presença maior de espírito crítico. Voltando ao pesquisador, há um ardor enciclopédico e uma exigência de que cada coisa ocupe um lugar essencial na busca do resultado. Não aceita conversas frívolas, apesar do XIX lhe dar uma alegria que o XVIII em essência – por sua seriedade – não possui. A proximidade maior do Arcano V – O Papa, o transforma num educador. Pode ser pesquisador, pode ser filósofo, pode ser agregado á minúcias exageradas, mas é um educador por natureza. Sem o Arcano V, aliás, e sem a influência dos outros, o arcano XVIII pode se tornar um verdadeiro déspota.
Usei como exemplo um pesquisador, mas logicamente esse raciocínio pode abranger qualquer situação.
A relação, apresentada abaixo, sustenta o que falei. Gosto mais desta disposição do que a veiculada por Wirth e, ousadamente, eu a considero mais completa. Confira o Os indícios reveladores dos segredos do Tarô, de Wirth.



O quadrilátero 19/18/4 e 5 (Sol, Lua, Imperador e Papa) permite inferir um processo de reconstrução, onde formas velhas eliminadas dão lugar a formas novas, mais pensadas, cristalizadas de uma maneira segura e completa. Mas o processo construtivo característico deste Arcano nos leva representar uma personalidade em formação. Eu diria que um processo de cura de qualquer natureza tem um ponto forte no Arcano XVIII – A Lua. E este processo de cura é estimulado pela presença do Arcano V – O Papa, pois o XVIII tem uma tendência a ficar preso a hábitos perniciosos.
De modo mais abrangente este aspecto construtivo pode ser extrapolado até à concepção da formação do universo. Nessa linha, entraríamos no estudo dos Tammatras e Tattwas, conhecimento muito rico, mas que extrapola nossa atenção deste momento...
 
A luz refletida permite que eu vá lento
e determinado,
talvez para resolver a mim mesmo.
Não me afasto e mudo os passos
mesmo ofuscado pelo caminho.
Meço com cuidado o caminhar
Adianto o olhar atento
e com precisão demarco
a cristalização de meus sonhos.
Sonho que de maneira vívida acontece 
sem antecipação, dentro,
bem dentro de mim.
 
Referências:
Libertação pelo Yoga – Caio Miranda
El tarot – o La Máquina de Imaginar – Alberto Cousté
Le Tarot des Imagiers du Moyen Age – Oswaldo Wirth
Arcanos Maiores do Tarô – G. O. Mebes


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Não Temas

http://laisfloresejardins.com.br/images/jardins/



Não temas os obstáculos à frente.
Lembra- te que Deus olha por todos nós e que não desampara nenhum de seus filhos.
Fique ligado para as inspirações que o Alto lhe envia, sabendo que temos Espíritos Amigos que torcem pela nossa vitória.
Sede forte e vencerá.
Procure Deus nosso Pai através da prece, meio santo e maravilhoso do qual Ele deixou para que nós comuniquemos para com Ele.
Dele vem a Luz que sustenta o mundo e que equilibra com as trevas para que ela seja vencida.
Deus está no controle de tudo e nada escapa de Seu poder e ninguém pode desafiar as Suas forças, Sua Lei e Sua Justiça. 



                                                                                                               Frei Tobias


Psicografia de Felipe Silvestre.

sábado, 5 de dezembro de 2015

As cartas não mentem jamais?


Jaime E. Cannes

A essa pergunta, que na verdade é uma máxima atribuída aos ciganos e transformada em interrogação, eu digo que Não! Elas não mentem! Por quê? Não vejo como símbolos do inconsciente poderiam estar errados sobre o que eles revelam espontaneamente. Nunca vi as cartas errarem, por exemplo, sobre uma questão do presente. O que vi, e vejo, são pessoas negando o que é revelado!
Uma história que conto aos meus alunos, e que se passou comigo no início do meu trabalho com o tarot, foi o de uma senhora em torno dos seus sessenta e poucos anos que me procurou para ler as cartas. O tarot mostrava de cara que esta mulher tinha de aprender a seguir os desejos do seu coração, sem se deixar influenciar com as reações e opiniões daqueles que a cercavam... Antes mesmo de eu terminar a leitura ela me interrompeu dizendo que aquilo não era verdade! Que ela fazia sempre o que queria fazer sem se preocupar com o que os outros iam pensar, que era e sempre foi uma pessoa muito independente!


Pois bem, pouco mais de meia hora depois de ter me dito isso a percebo olhando nervosamente para o seu relógio de pulso, até que me pediu: “Será que poderia fechar as cortinas da janela, por favor?”, então eu disse que por ser inverno, e a iluminação da sala ser indireta, o ambiente ia ficar muito escuro... Então ela me revelou que morava no prédio em frente, e que de sua janela era possível me verem atendendo em minha mesa de leituras... E eu perguntei: “Mas e daí...?”, ao que ela me respondeu um tanto constrangida: “É que este é o horário em que minha filha chega em casa, e não quero que ela me veja fazendo essas coisas...!”. Fiquei atônito por um tempo, mas decidi não voltar ao que tínhamos falado anteriormente. Em parte porque me pareceu que ela não estava totalmente consciente da sua contradição. E também porque acredito que não temos de provar nada a ninguém, nem esfregar na cara das pessoas verdades que elas não reconhecem ou não estão prontas para admitir. Não é este nosso papel! Não tenho dúvidas de que casos como este ocorrem o tempo todo, e sei que qualquer pessoa que trabalhe com o tarot, ou cartomancia, ou runas, astrologia etc, tem histórias bem similares ou idênticas a esta!

O Futuro que não se realiza ou escapa


Erros sobre o futuro? Bem, este é um caso que deve ser bem avaliado. Em primeiro lugar o que nos é dado saber, nos é permitido mudar. E fazemos isso consciente ou inconscientemente o tempo todo! E nesse caso as previsões podem funcionar como uma autossugestão, que atua positiva ou negativamente dependendo das esperanças ou medos que cada um carrega intimamente sobre o que foi revelado! É nesses momentos que a programação do inconsciente atua, ou seja, é um fator puramente psicológico! Há alguns anos atrás um cliente veio me procurar para ler o tarot. Era um rapaz de orientação homossexual que se dizia cansado de ter “casos”, ou namoros inconsequentes. Ele dizia querer um relacionamento firme, mas que também fosse uma história de amor com consistência e profundidade. Abri as cartas para ver as perspectivas nesse setor de sua vida e... Nossa! Estava todo mundo lá! O Mundo, O Sol, Dois de Copas, Seis de Copas, o Dez de Copas... Sim ele encontraria um amor, mas seria longe de onde vivia. Seria numa viagem a estudo ou trabalho. Ele ficou contente, mas questionou que não tinha intenções de sair do estado para trabalhar e nem tão pouco tinha nenhum curso em vista num período de curto a médio prazo!


Alguns meses depois uma cliente dele se mudou para São Paulo e precisou de seus serviços de designer na sua casa no bairro dos Jardins, por gostar muito do seu trabalho, e não conhecer ninguém na nova cidade, o chamou para ficar duas semanas trabalhando por lá. Ele foi e nesse período conheceu outro rapaz com quem se encontrou duas ou três vezes antes de vir embora. Desse momento em diante passaram a viver uma relação intensa, mesmo à distância. O novo namorado ligava todos os dias de manhã para desejar bom dia. A cada duas semanas pagava passagem de avião para ficarem juntos. Até que um dia, o referido novo amor atendeu ao telefone de modo estranho, ficou de retornar e não o fez, depois não o atendia mais... Foi o que bastou para o jovem que se consultou comigo entrasse numa viagem mórbida de autodepreciação, dizendo que é claro que o namorado devia estar com outro, porque afinal ele era feio, magro demais, não tão bem sucedido...


Cartas que falam das relações amorosas



Quando finalmente voltaram a se falar, ele decidiu terminar tudo por telefone, e não atender mais aquele que parecia ser tudo o que ele queria de uma relação! Mais um tempo depois o namorado o procura e diz que estava passando pelo pior momento profissional de sua vida, e que tinha recebido uma notícia bomba justo naquele dia. Que estava profundamente magoado por ter demonstrado atenção às necessidades do parceiro, mas que quando ele precisou tudo o que teve foi desconfiança e acusações. Não pediu uma nova chance e sim quis terminar definitivamente, pois já tinha sofrido com o mesmo tipo de coisa no passado e não queria mais repetir isso em sua vida.
Quando nos falamos depois de tudo, ele me dizia não compreender porque reagiu daquele modo. Conversamos sobre as programações que todos carregamos sobre o amor, e ainda mais as pessoas que pertencem a grupos minoritários. Ele então citou que seu pai ao perceber sua diferença desde cedo, dizia a ele que pessoas “como ele” nunca eram felizes! Precisa explicar mais? Poucas pessoas nesse mundo se acham merecedoras de amor e felicidade. Isso parece ser mais uma coisa para os outros. Muitos culpam a nossa cultura judaica cristã, mas o fato é que isso acontece com hindus tanto quanto com muçulmanos, tanto no ocidente quanto no oriente, ou seja, é humano! Se não fosse assim não haveriam tantas terapias para nos orientar no resgate da própria felicidade, amor e saúde! No relato que fiz a pouco observamos que o namorado do meu cliente também tinha uma programação de amar demais e não ser acolhido, e os dois se encontraram, ao que parece, para corroborar com o programa infeliz um do outro. Diante de um prognóstico positivo o condicionamento relacionado ao amor e à felicidade foi ativado, e fez desmoronar as boas perspectivas. Muitas pessoas fazem isso todos os dias sem se dar por conta de que o fazem.

O Futuro que não se revela


Há também aqueles casos em que pessoas alegam que coisas importantes não foram reveladas na leitura, e que consideram por isso que o oráculo (seja ele qual for) errou. Bem, vou discordar disso também. Como sempre digo os oráculos não são meramente instrumentos divinatórios ou de avaliação psicológica, são também chaves de crescimento espiritual. Tenho observado que o que não nos é dado saber é algo que temos de passar, porque de algum modo serve ao nosso crescimento e amadurecimento interior, e não nos ser revelado é a forma de impedir a interferência da consciência e do arbítrio na situação.
Mais uma vez tenho um caso que ilustra bem o que quero dizer. Uma amiga me procura para ler o tarot, ia fazer uma viagem de um mês pelo interior da França, na região da Provença, com um grupo de amigos. Estava muito entusiasmada em conhecer a região, e em especial a floresta de Paimpont, ex Brocéliande, onde se encontra o suposto túmulo do Mago Merlin. Já havia consultado uma astróloga, e uma numeróloga de sua confiança, e agora queria ver se o tarot tinha algo a dizer sobre precauções quanto à viagem... Lembro-me das cartas de O Eremita e de O Sol terem dito que estranhamente ela não seguiria com os outros. Assustada perguntou se ficaria para trás! Eu disse que não, que ela ia
junto, mas que não iria a todos os passeios, embora eu não soubesse o motivo. Como fazem algumas pessoas, de forma irritante, ela começou a argumentar que era estranho, pois era uma das duas únicas a falar francês no grupo, e que seria também a motorista de uma das vans que levariam as pessoas.

O jogo de baralho nas previsões



Uma vez lá, ela finalmente foi a tão desejada visita à floresta mágica e mítica de Paimpont. E justo neste passeio ela cai de uma ribanceira enorme, quebrando o braço bem na junta do ombro. O resultado? Uma cirurgia cara e delicada, meses de recuperação e a recomendação médica de não andar por longas distâncias, nem subir declives, pois tinha a partir daquele momento uma liga de platina que juntaria os ossos e permitira a cartilagem se recompor. Essa era na época uma técnica desenvolvida lá na França, e que permitiria recuperar totalmente os movimentos do braço, ou seja, mesmo no azar ela teve sorte! Voltou impressionada com minha leitura de tarot, e indicou muitas pessoas a se consultarem comigo! Entretanto eu estava intrigado com o fato de eu ver a consequência e não o fato que a levou àquela situação. Nada na leitura dizia “cuidado”, ou assinalava perigo. Não havia nenhum arcano ameaçador. Discuti isso com ela que disse estar impressionada de qualquer modo, mas que de fato nada lhe foi revelado que pudesse evitar o que aconteceu!
Até que um dia, num dos nossos encontros, ela me disse ter refletido muito sobre aquela nossa conversa, e concluiu que se tivesse sido avisada sobre o risco de um acidente evitaria ir à floresta. Sempre teve medo de lugares acidentados e temia ir até lá! Como nada foi ressaltado ela seguiu o plano da visita. Disse que depois de meses sem poder dirigir, nem sequer cozinhar e mal se servir sozinha, e de ter de ficar confinada em casa por longo tempo, se deu por conta que aquela era a primeira vez que ela estava podendo voltar a pensar em si mesma. E no fato de não estar mais empenhada, como desejou estar, em realizar as coisas que satisfaziam sua alma. Desde que se aposentou (e isso já tinha alguns anos) ela estava envolvida com assuntos da mãe idosa, da irmã divorciada e dos sobrinhos, e grande parte da sua angústia era a de não poder estar atendendo essas pessoas. Estava ocupada com todos, mas não consigo mesma. Passou anos num trabalho que não a realizava. Jurou para si mesma que depois de aposentada se dedicaria à sua busca espiritual e ao estudo da astrologia, uma antiga paixão, coisa que não estava fazendo. Mas só pode lembrar-se disso ficando literalmente imobilizada dentro de casa. Chegou à conclusão de que tinha sido essa a finalidade de sofrer o acidente: Fazer-lhe lembrar do que tinha esquecido, e do pacto que tinha feito consigo mesma.





Concordei inteiramente. Houve um equívoco? E se houvesse os outros oráculos teriam se equivocado mais? Minha experiência e observação nesses anos todos diz que isso não existe. Quer chamemos de inconsciente, divindade interior (Eu Superior) ou Self, a verdade é que não obtemos a revelação de tudo dessa parte profunda de nós mesmos, para que não atrapalhemos ao processo de integração com nosso propósito de alma. Simples assim! Nem sempre é possível descobrir o motivo de uma revelação não ter sido feita, simplesmente porque isso compete em grande parte ao próprio cliente, olhar para si mesmo com franqueza e refletir, como o fez minha amiga. E isso é para poucos.
Sobre o olhar do leitor
É claro que podem ocorrer erros de interpretação do leitor, isto sim! E penso que para esses leitores é mais fácil dizer que os oráculos erram do que admitir sua própria incompetência! E nem sempre, é claro, é só uma questão de competência, ou a falta dela. É também uma questão de olhar. Durante seis anos tive um grupo de estudos de tarot que chamei de Consciência Arcana. Era formado por ex-alunos que quiseram seguir estudando e praticando o tarot de forma assistida, uma vez por mês durante quatro ou cinco horas.

Visões - Um olhar próprio entre muitos outros


Uma das experiências que eu mais gostava era quando alguém trazia uma leitura que tinha feito em casa para um amigo, colega, parente etc. Ao se abrir a leitura, aquele que a trouxe deixava os outros falarem, cada um na sua vez, o que percebia para depois contar o que de fato tinha lido e o relato de quem se consultara. Era surpreendente como alguns conseguiam chegar a detalhes que o próprio leitor ou tinha ignorado, ou simplesmente não tinha visto numa leitura geral, por exemplo, enquanto alguns viam ainda menos do que o outro conseguiu “enxergar”. Havia também aqueles que viam a mesma coisa! E, o mais fascinante, é que todos tinham o mesmo conjunto de cartas na sua frente. Desde então isso para mim é prova mais do que suficiente de que se ocorre um “erro” de leitura, isso nada teve a ver com a linguagem dos símbolos, ou com o sistema oracular que foi empregado. Sempre tem a ver com as pessoas! Por isso considero a afirmação do tarólogo suíço Oswald Wirth (1860-1943) que diz que: “O próprio do simbolismo é sugerir indefinidamente; cada um verá o que seu olhar permita perceber”, uma verdade irrefutável no trabalho com os símbolos.

Sobre a Natureza dos Símbolos

Para aqueles que dizem que os símbolos são falíveis porque são humanos, tudo o que posso dizer-lhes é de que possuem um conhecimento no mínimo limitado sobre sua natureza. Nenhum símbolo foi inventado. Os símbolos nos foram inspirados, por isso só em parte eles são humanos. São recursos simbólicos e culturais que o homem acessou no seu mundo próximo, mas que são a expressão de uma força transpessoal, cósmica, ou divina. Escolha a versão que mais lhe agrada, mas saiba de antemão de que são todas elas verdadeiras!



Um bom exemplo disso vem da astrologia. O planeta Júpiter desde tempos imemoriais tem sido visto como o arauto da abundância, da expansão, da generosidade e da proteção. Sendo por esse motivo o representante tanto de reis, quanto de pessoas nobres de alma. Isso tinha muito a ver com seus aspectos com outros planetas no céu, e o que ele promovia na Terra. Os antigos sumérios o chamavam de Enlil, deus do ar, do raio e das tempestades. Mas tarde os romanos deram-lhe o nome do seu deus supremo, Júpiter, que tem muitas das atribuições do Enlil sumeriano. Com a exploração espacial por sondas de todo tipo, e telescópios super potentes, as características astronômicas desse astro se revelaram. Descobriu-se, por exemplo, que Júpiter protege a Terra do impacto de meteoros e asteroides que podiam nos destruir (proteção/generosidade).
Recentemente a sonda New Horizons mergulhou no espaço profundo para novas descobertas utilizando-se de seu imenso campo gravitacional como estilingue para se impulsionar na viagem, o que a fez alcançar a órbita de Plutão em 14 de julho deste ano (expansão). No século XVI esse planeta era associado às grandes navegações, e foi o regente das duas maiores nações navegadoras do mundo na época, Espanha e Portugal. Sem falar que este gigantesco corpo celeste emite mais energia do que recebe do Sol (abundância).
Acho que você já leu estas palavras entre os parênteses antes, mas foi quando eu falava das suas antigas atribuições mitológicas dadas pelos povos do passado! Então como eles sabiam? É simples, não sabiam. Foram inspirados. Apenas usaram as imagens míticas que lhes eram conhecidas para expressar o que captavam intuitivamente da sua conexão cósmica. Estamos todos conectados, e como diz aquele axioma esotérico: “Assim como acima, abaixo...”. Portanto, um símbolo não pode ser influenciado ao se expressar. Porque é uma força transcendente que se utiliza de uma representação reconhecível à consciência humana para entabular uma conexão, e uma comunicação, com e através da alma.